estrela maciça que, num estágio avançado de sua evolução, explode, passando repentinamente a brilhar de modo muito intenso...

julho 22, 2006

Untitled

Hoje o céu vai desabar. Ela ouviu a moça da tevê dizer. Parece mesmo verdade. O vento fechou a porta do quarto tão depressa, ela nem consegui sair.

Agora está tranca(fia)da. Mas isso já não faz a menor diferença.

maio 23, 2006

Janela



Estive pensando em você outro dia (ontem).

Eu ainda acho muito estranho o rumo que a nossa estrada tomou. Ninguém contou que haveria uma bifurcação no percurso. Nem eu mesma poderia ter imaginado.

Foi eu quem jogou aquela pedra na sua janela, no outro dia (ontem). Eu sei que você vai dizer que nunca teria imaginado que eu seria capaz e não vai dizer que tinha certeza de que aquela pedra tinha saído das minhas mãos. Você sempre diz não saber das coisas que sabe e eu sempre achei isso muito estranho em você.

Mas agora eu acho tudo estranho. Absolutamente tudo, absolutamente estranho.

Fiquei um tempão debaixo da sua janela, ouvindo a sua voz, vendo o movimento das sombras do seu quarto refletidas no muro da casa da frente. Percebi quantas vezes você entrou e saiu do recinto, vi quando você se sentou à escrivaninha e vi também que você se levantou três minutos depois, sem conseguir se concentrar. Eu vi que alguém te ligou, mas eu não sei quem. Eu sei que você ficou rindo alto. Você me parecia feliz.

Desculpe pela pedra na janela. Não foi por mal. É que eu queria ver o seu rosto para ter certeza de que ainda era você que estava ali. A barba sempre por fazer... Quando você vai aprender que o seu rosto é muito mais bonito sem pêlos? Se você ao menos soubesse...

Existem realmente muitas coisas que você não sabe, além daquelas que você sabe e diz não saber. Existem muitas coisas que eu também não sei, mas isso, de alguma forma, não me incomoda.

Você sabe que eu nunca fui sub-reptícia, que jogar pedras em janelas não faz o meu estilo. Mas é que, de vez em quando, eu quero ver se você ainda está lá. Não, não tem nenhum motivo especial não. Saber que você está lá é bom só pela segurança de saber que você está lá, mas as implicações disso eu também não consigo entender.

Existem realmente muitas coisas que eu não entendo, fora aquelas que eu não entendo e finjo entender.

E é claro que você sabe, mas diz não saber que eu não entendo o que pareço entender.

dezembro 15, 2005

"De Dentro para Fora"



Estão todos convidados (e convocados) a comparecer ao lançamento do livro "De Dentro para Fora", de Pedro Marcelino - meu irmão. Toda a comemoração acontecerá na próxima segunda-feira, dia 19/12, a partir das 17h no 3º piso do Shopping Tijuca.

Venha e traga a trupe porque a festa vai ser boa!

dezembro 09, 2005

Da série "nobres sentimentos" - Ódio



Se você passar diante de mim, eu juro... Arrebento-te a cara, arranco-te os cabelos, assopro dentro do seu olho, estalo dentro do seu ouvido, embaço os seus óculos, rabisco de azul o seu caderno, rasgo a décima sétima página do seu livro, arranho seus discos, dessarumo seus arquivos, jogo ovos no seu vidro.

Eu juro... Eu sou capaz.

E eu posso até muito mais.

Você já devia ter sabido.

Eu quero sumir do mundo.

Quero que você vá comigo.

Mas, infelizmente, eu duvido.

dezembro 08, 2005

When nobody is watching...



Come. Don't be shy.

Give me your hand.

Let me hold it.

Let me feel it.

Let me play with your fingers as if I were playing the piano.

Let your nails be the keys.

Let me write a song for each finger print.

Let me close my eyes and feel your skin.

Let me be your fortune teller.

Let me come up with a different future for each of your hand's lines.

Let me be in all of them.

And enjoy my senses, which you stole from me.

Da série "nobres sentimentos" - Dor



De Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.


Simplesmente porque não há como não se curvar diante de uma verdade que, de tão verdadeira, chega a doer. Mas doer a dor que tenho e não a que finjo não ter.

dezembro 07, 2005

Sobre quase-beijos e quase-amores



Língua, líquido, lápide, lassidão, lábio
Beiço, batom, bebedouro, bebedice, beijo
Dente, doce, dor, dormência, desejo
Sabor, saliva, saciação, sacramento, sonho

Mas se você quiser trocar por um abraço, eu aceito.
Desde que seja apertado.
Desde que seja colado.
Desde que eu possa sentir o cheio da sua nuca.
Desde que eu possa enchê-la de beijinhos.
Desde que os seus lábios, assim, sem querer, estalem nos meus.
E depois finjam nunca os terem tocado.
Na esperança silenciada do reencontro.

dezembro 05, 2005

Banquete com os (meus) deuses

Depois de hoje, nada será como era antigamente.