estrela maciça que, num estágio avançado de sua evolução, explode, passando repentinamente a brilhar de modo muito intenso...

Janeiro 23, 2005

Eu, F.L., não escrevo há...



Tornar-se escritor é um passo (adiante, será?) quase irresistível no mundo da verborragia blogueira, onde todos estão a um clique de ter seus textos (ou quase) publicados nas páginas deste espaço atemporal e intangível. As conseqüências dessa decisão, contudo, revelaram-se muito mais aterradoras do que outrora pareciam ser.

A velocidade de atualização da rede, a quantidade infinita de informações que circulam o mundo por esses cabos de fibra ótica ou na carona das ondas SHF, o upgrade contínuo de todo o conteúdo sempre me trazem a sensação de que deveria escrever alguma coisa; meu silêncio parece tornar este espaço um contra-senso, um despautério, um despropósito não consentido.

Esse sentimento já me condenou a horas perdidas na frente do monitor, batendo nas teclas, em busca daquela idéia que vem e vai no decorrer das linhas. São dezenas de drafts, rascunhos compelidos, enredos mal-nascidos pela força da cobrança de estar em dia com o mundo da indigestão mental. Cansei.

Na falta de algo suficientemente interessante para se dizer, silêncio sem sofrimento a partir de hoje. Desfaço-me, neste instante, de todo e qualquer vínculo ético com a rede e prometo não mais padecer a culpa de nenhuma palavra escrita, nenhum parágrafo desenvolvido, nenhum personagem original.

Que alívio!

Até a próxima história!

Janeiro 19, 2005

Quase-pensamentos...

O armário da gente é quase como um museu de nossa própria história.

Fiquei pensando se aquela quantidade enorme de porta-retratos vazios, esquecidos, empoeirados denunciava que não havia tido tantos momentos dignos de serem expostos.

Imaginei por que guardara durante tanto tempo todos aqueles livros dos primeiros anos de colégio. Resolvi que iria guardá-los por mais algum até que encontrasse a resposta. Se haviam ficado armazenados durante tantos anos, haveria de existir um motivo bom o suficiente. Precisaria relembrar.

Tentei encontrar uma explicação para a dificuldade que encontrei em me desfazer das provas materiais de minha existência, daqueles objetos que comprovam e retraçam os caminhos que me trouxeram até aqui.

Questionei a utilidade daqueles bilhetes de papel de caderno trocados incessantemente na sala-de-aula, passados de mão-em-mão até chegar ao destinatário. Todas aquelas histórias e todos aqueles começos já haviam encontrado fins menos interessantes do que imaginávamos em nossa inocência.

Presumo que os tenha guardado para não me esquecer de que o futuro nem sempre é como costumava ser.