estrela maciça que, num estágio avançado de sua evolução, explode, passando repentinamente a brilhar de modo muito intenso...

Abril 29, 2005

Da gaveta, eis que surge um texto



O Rio de Janeiro amanheceu cinza.

Deveria ter sido decretado feriado. Feriado do lençol, do edredom, do colchão, da pipoca, da televisão, de todos os programas que passam à tarde, do chocolate... Parece mesmo que todo mundo se esqueceu de se levantar. Andei pelas ruas de Botafogo e só o que podia sentir eram aqueles rostos graves, aqueles passos pesados, aqueles olhos entreabertos de quem acordou, mas não despertou. Eu adoro dia assim...

Claro que preferia ter podido ficar em casa fazendo nada, mas mesmo tendo levantado às 5:30h, consigo me ver contente pelo casaco que há muito não saia do armário, pelo tempo friozinho, pela cor cinza do dia...

Andei a passos bem lentos pela Praia de Botafogo. Fui caminhando sem pressa de chegar (e tinha mesmo tempo de sobra), com meu guarda-chuva vinho e fones de walkman nos ouvidos. Caminhei pensando... Pensando tanto que fiquei um bom tempo sem saber qual música estava tocando na rádio.

O problema de quem gosta de escrever é que não pensa direito. Escreve mentalmente. Desenvolve cada palavra, cada linha, como se estivesse com lápis e papel nas mãos. Acho mesmo que isso torna o pensamento um tanto mais lento. Há de se rever o pensado de vez em quando para não deixar escapar nenhum erro gramatical ou de concordância, fazer correções mentais na busca da forma perfeita para algo que deveria ser naturalmente aforme.

Os pingos finos d'água embaçam meus óculos e quase não me permitem ver o pão-de-açúcar detrás da neblina quase londrina. Mas mesmo minha incurável miopia não seria capaz de distorcer a beleza do cenário. Quase tentada a sentar na beira calçada, forço-me a seguir o caminho, ao som de não sei qual música, pensando em não sei o quê... Mas com a certeza de que os melhores momentos de nossas vidas, definitivamente, não têm hora para acontecer.


*Texto velho e engavetado. Resisti em fazer qualquer alteração, por mais que a vontade fosse forte. É do ano passado.

Abril 27, 2005

Plim Plim



Na comemoração de seus 40 anos, a Globo é pura metalinguagem.

Abril 11, 2005

Luiza



Ela é pequena. Contudo não tão pequena que caiba na palma da minha mão. Infelizmente. Quisera eu guardá-la no meu bolso e protegê-la de todo e qualquer mal (e mau também).

Eu queria ensiná-la sobre as coisas da vida, sobre as abelhas que voam de flor em flor, sobre o céu ser azul, sobre como as crianças nascem, sobre o canto dos passarinhos, sobre todas as cores do mundo, sobre por que a chuva cai, sobre a ordem de todos os números, sobre a impossibilidade de se escrever infinito, sobre por que os olhos doem quando olhamos para o sol, sobre a lei da gravidade, sobre a importância de se obedecer aos pais, sobre como fazer coisas escondido sem ser descoberta, sobre todas as línguas faladas, sobre todas as sociedades extintas, sobre o funcionamento do corpo humano, sobre os buracos negros, sobre o sistema solar, sobre rotação e translação, sobre as diferenças entre meninos e meninas, sobre quem escreveu a Bíblia, sobre o nosso planeta Terra ser constituído, predominantemente, de água, sobre como somos parecidos com os macacos, sobre as baleias, que, apesar de se assemelharem aos peixes, são mamíferos, sobre perdoar, sobre não esquecer, sobre a métrica dos poemas parnasianos, sobre a necessidade de se estudar matemática a fundo (mesmo que só se utilizem as quatro operações fundamentais), sobre a história da música, sobre como correr sem cair, sobre como voar sem sair do chão, sobre ler bons livros, sobre ler livros ruins de vez em quando, sobre como escrever palavras proparoxítonas (e sempre acentuá-las), sobre não falar com pessoas desconhecidas, sobre amar sempre, sobre amar só os certos, sobre não se magoar, sobre não ligar, mesmo quando se quer, sobre nunca mentir, sobre nem sempre falar a verdade, sobre o quanto somos pequenos em comparação ao universo, sobre o quanto somos importantes na vida de quem nos ama, sobre nenhum menino merecer um lágrima sua, sobre nenhuma pessoa merecer nenhuma lágrima sua, sobre nunca desejar mal a ninguém, sobre só se desejar mal a determinadas pessoas, em determinadas circunstâncias, sobre o valor da família, sobre o quanto dependemos de quem vive conosco, sobre as perdas, sobre a saudade, sobre ser forte, sobre ser tudo o que nos é verdadeiramente impossível, sem notarmos a impossibilidade...

Mas basta um sorriso seu e fica muito claro quem precisa aprender o quê.

Abril 05, 2005

The show must go on...



O papa era pop.

Disso todo mundo sabia. A declaração do Dom Eusébio Scheidt, arcebispo do Rio de Janeiro, contudo, não deixou dúvidas:

- "Dom Eusébio, quais são os pré-requisitos para a eleição do novo papa?"

- "O novo papa tem que ser um homem de mídia. Sem mídia, não dá!"

Definitivamente, o pop não poupa ninguém.


PS: Nessas horas, eu penso que não pode ser tão mal fazer faculdade de Comunicação. Mas o Boghob tirou minhas esperanças: "o próximo papa vai ser da PUC, porque além de estudar comunicação, será aluno de uma universidade católica". Droga! E eu havia suspeitado desde o início de que minha escolha pela UFRJ ainda me renderia anos de arrependimento...