estrela maciça que, num estágio avançado de sua evolução, explode, passando repentinamente a brilhar de modo muito intenso...

Setembro 28, 2005

Gula



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.........................................................a.bola


Porque há dias em que se acorda e parece não existir outra alternativa: é preciso rolar.

Setembro 14, 2005

Da série "nobres sentimentos" - Respeito à brasileira



É comovente ver como os políticos brasileiros são respeitosos, seja na sala da CPI, seja no Plenário. Verdadeiros gentlemen, não se privam de fazer na vida pública aquilo que fazem na privada. Literalmente.

- Vossa Excelência, por obséquio, vá à merda. Muito obrigado!

Setembro 11, 2005

Da série "nobres sentimentos" - Alívio



Ao tio Klaus.

3:18. Madrugada. Ele olha o relógio pela trigésima vez desde que havia se deitado, à uma. Vira-se, revira-se, revira-se. Nada. Os pensamentos quase sempre confusos demais para virarem palavras, as inquietações que pareciam adormecer durante o dia, no corre-corre do trabalho, despertavam sempre à noite, faziam ronda em sua cabeça, não o deixavam dormir. Os olhos quentes demais para ficarem fechado. Olhava o céu da janela entreaberta que a mulher mandava ele fechar por causa dos mosquitos, mas que ele abria no momento em que ela adormecia ao seu lado. Sentia-se sufocado naquele quarto, a janela fechada fazia com que seus pensamentos falassem mais alto e espantassem seu sono já sempre tão tímido.

Levantou-se, como fazia quase sempre, o pijama estava ficando quente no corpo que não parava de se mexer. Desceu as escadas, segurou o corrimão. Sempre segurava o corrimão. Passou na cozinha, pegou um copo de água no armário que rangia. Não queria que a mulher acordasse e o mandasse de volta para cama, "você precisa dormir!", ele sabia. Mas era uma necessidade muito mais psicológica do que física. Ele queria mesmo era desligar aqueles pensamentos de sua cabeça por algumas horas, descansar a mente de tudo aquilo que o atordoava, de tudo aquilo que ele queria dizer, mas não sabia como. O corpo já não importava. O corpo era casca e ele sabia disso. Abriu a geladeira, pegou a jarra quase vazia, despejou até a última gota no copo de vidro que a mão esquerda segurava. Não era suficiente. Abriu o filtro e encheu a outra metade do copo. Odiava água morna. Não existia coisa pior no mundo para ele do que água morna, mas ele aceitou. Não era penitência; de repente ele achou que a água morna não era tão ruim. Nem ele mesmo entendeu.

Ligou a tevê e a luz azul iluminou a sala. Diminuiu o volume todo, não importava mais o que estava no ar. Deitou-se no sofá. Repousou o copo na mesa de centro. Não usou o porta-copos. Sabia que a mulher reclamaria pela manhã a mesa manchada. Mas não se importou. Fazia tudo certo sempre. Mas hoje não. Hoje o certo não fazia sentido.

Fechou os olhos, sentiu-se leve, os pensamentos já não lhe pertubavam. Talvez nem existissem mais, não saberia dizer. Era uma leveza plena, daquelas que não se pode nem respirar. Olhou a sala à sua volta, o retrato das crianças, tantos momentos que ficaram na memória, tantas histórias. Sentiu-se triste. Era mesmo triste ter que partir sem ao menos se despedir. Mas era necessário. Ele sabia que era necessário. Eles haveriam de entender.

Silêncio. O silêncio que ele perseguia. O silêncio que o deixaria dormir, que teria resolvido todas as noites de insônia. O impalpável, o intangível, o inalcançável silêncio que ele havia procurado todos esses anos. Nem os pássaros, nem os mosquitos, nem a água no encanamento. Não. Nada mais o impedia de desfrutar aquele sono, o melhor, o mais profundo de todos. Nem os pensamentos, nem as inquietações, nem todas aquelas coisas que ele não sabia explicar. Nada. Nada.

Ele agora podia descansar em paz. Sorriu e, pela primeira vez, permitiu-se sonhar.

Setembro 10, 2005

Da série "nobres sentimentos" - Orgulho




Caras e bocas, um discurso quase sempre inflamado, mãos que gesticulam compulsivamente, ajeitam o cabelo, puxam o cabelo, prendem o cabelo, soltam o cabelo, olhos que mudam de expressão a cada sílaba tônica, dentes que mordem os lábios para impedi-los de dizer o que não se quer.

Mas se você me abraçar, eu paro. Hesito, mas paro. Você sabe que eu não resisto ao seu peito. Mas tem que abraçar forte, quase segurar meus braços. Se eu tentar me soltar, agarre com mais força. Sou assim mesmo. Com o tempo, eu cedo. Se disser que me ama, ficarei muda. Não direi nada. Nenhuma palavra. Mas na minha cabeça, na minha cabeça... Eu te amo muito, eu te amo mais, eu te amo demais, desculpa?, não sei por que sou assim, não devia ter dito tudo isso, eu fiquei nervosa, desculpa, por favor?, eu te amo muito, era a última coisa que eu queria dizer...

Contudo, da boca não sai um som.

Depois eu digo. Talvez amanhã. Quem sabe nunca. Mas aí vão meus sinceros pedidos de desculpa.

Desculpa?

Setembro 06, 2005

Da série "nobres sentimentos" - Raiva




Saco!

Sim, hoje é um dia daqueles. Daqueles que a gente acorda só quando a cama chama e o despertador expulsa, daqueles que qualquer desavença é ódio mortal e qualquer amor é pra vida toda.

Seca!

Sim, talvez chorar fosse muito mais fácil. Mas não há motivo especial. Chorar sem razão até vai... Sou mulher, não tem problema. Mas não hoje... Hoje o meu negócio mesmo é raiva. De ranger os dentes.

Soco!

Sim, era disso que eu precisava. Dar um soco em alguém. Mas não um soco qualquer, um daqueles bem dados, de punho fechado, que vêm na força do impulso do braço. De direita. Minha esquerda não tem pontaria. Dado com muita, mas muita vontade. Daqueles que a gente quase dá na parede se pensa em outra pessoa beijando o namorado.

Suco!

De maracujá. Sem açúcar. Mal coado. Bem azedo. Talvez fizesse efeito. Mas abaixo a cabeça e você está no meu café.

PS: Não, não há nenhuma intenção de vanguarda literária nesse meu texto. Antes que reclamem, não é crônica, não é poema, não é conto, não é nada. É raiva. E é das grandes. Criticar pode ser perigoso. Dê-me o ombro, a mão, o colo. Chegue perto. Mas qualquer "ai" pode levar a um chute na virilha. É melhor ficar calado. Ou vai ter que dormir com um saco de gelo entre as pernas. Sim, o golpe é baixo. E eu sou capaz de coisas piores. Mas é hoje, só hoje. Culpa do ciclo, do ciclo.

Setembro 01, 2005

Minha velha bossa nova...



Mas, às vezes, o que eu queria mesmo era que a vida fosse uma bossa na voz do Tom, daquelas que a gente escuta de olho fechado, daquelas que o todo cantar cabe num sussurro, daquelas que cada acorde arranca um quase-suspiro.

E que os versos fossem livres...

E que pelo menos os versos fossem livres.