estrela maciça que, num estágio avançado de sua evolução, explode, passando repentinamente a brilhar de modo muito intenso...

Outubro 26, 2005

Deputados limitam bumbum em cartão-postal

Projeto de Alice Tamborideguy, que ainda vai à sanção de Rosinha, proíbe exibição de traseiros fora de contexto



Marcelo Gomes

Os bumbuns fartos das cariocas com corpos esculturais estão prestes a serem banidos dos cartões-postais que retratam o Rio de Janeiro. Foi aprovado ontem na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) o projeto de lei 2.813, de autoria da deputada Alice Tamborindeguy (PSDB), que proíbe a veiculação, a exposição e a venda de postais turísticos que usem imagens de mulheres em trajes sumários que não tenham relação ou que não estejam inseridas na imagem original dos cartões-postais.

Segundo a autora do projeto, a medida visa a divulgar outras belezas da cidade e do estado — como as atrações naturais, históricas e culturais — e coibir o turismo sexual. Para Alice Tamborindeguy, a exploração dos corpos das mulheres nos postais é um desrespeito com a população do estado.

— Nosso estado possui inúmeras outras belezas e não merece ser desvalorizado com postais que exponham o traseiro dos nossas mulheres em situações fora do contexto. Por exemplo, o que tem a ver colocar um bumbum num cartão-postal do Cristo Redentor? É um contra-senso — argumenta a deputada.

Famoso pelos desenhos de mulheres com bumbuns avantajados e longas pernas, o cartunista Lan concorda em parte com o projeto. Para ele, o Rio não deve ser divulgado apenas através dos bumbuns das cariocas, mas a total proibição da exposição e venda dos postais é uma medida extrema.

— O bumbum é a preferência nacional, todo mundo sabe disso. A mulher carioca faz parte do panorama da cidade, mas o Rio é muito mais do que isso — diz Lan.

O projeto será enviado à governadora Rosinha Matheus (PMDB), que terá 30 dias para sancioná-lo. A deputada espera que a governadora aprove o projeto e determine, através de regulamentação, qual será o órgão responsável pela fiscalização do cumprimento da lei.


(Jornal O Globo de 26 de Outubro de 2005)


- "Traseiros fora do contexto" é uma expressão genial. Dizem que surgiu nos antros de perdição coordenados pelos cafetões de Copabacana quando uma "profissional do amor" foi trabalhar de calça jeans. O repórter, obviamente, não deixou passar a oportunidade de utilizá-la muito propriamente no subtítulo. Isso é o que eu chamo de insight jornalístico.

- É muito comovente constatar que os deputados continuam aprovando leis que beneficiam a população, mesmo que ela sabidamente não necessite de educação - todo mundo é bastante educado e as pessoas até pedem "licença" e dizem "obrigado -, não passe fome pelas ruas - todos sabemos que a população mais carente é cobaia voluntária num projeto norte-americano que estuda os benefícios da dieta zero -, e receba tratamento cinco estrelas nos hospitais da rede pública - onde nunca faltam remédios e as pessoas não precisam ser transportadas em carrinhos de supermercado. Apesar de vivermos numa situação socio-econômica exemplar - que serviu de modelo à Dinamarca, inclusive - os políticos insistem em nos ajudar sempre que podem. Que isso, deputados... Não precisava tanto!

- Eu resolvi colocar uma foto de bumbum aqui. Vai que eles resolvem proibir nos blogs também... É melhor garantir logo!

- A Tailândia e a Índia são países-destino do turismo sexual tanto quanto o Brasil. Lá não circulam cartões-postais com "traseiros fora de contexto", mas já estão pensando em produzi-los. Sim, as fotos de bumbuns asiáticos - isso existe? - circularão por toda parte e depois serão proibidas para combater o turismo sexual. Mais uma vez, o Brasil serve de exemplo para o mundo. Por isso eu me orgulho de ter nascido aqui. Ser brasileiro não é desistir nunca, é persistir sempre.

Outubro 24, 2005

Conto inacabado

Mais uma vez, lá estava ele dormindo em sua cama, o pé descoberto do lençol, o rosto inclinado para a parede, os olhos nunca completamente fechados - ou sempre semi-vigilantes - a perna direita cruzada e o braço esquerdo em cima do rosto como que se prevenindo de ver o que não se quer.

Embaraçado, desconfortável, obtuso. Nada parecia fazer sentido naquela posição que o corpo havia assumido. Mais parecia o rascunho de um projeto arquitetônico porque desafiava os limites do cálculo. Podia jurar que tinha visto algo parecido em Brasília.

Ela já estava há algum tempo imaginando como se aproximaria dele ao deitar na cama. Queria desejá-lo boa noite. Beijaria a testa? Acariciaria a mão? Lamberia o cotovelo? Qualquer movimento poderia fazer cair aquele monumental emaranhado de ossos e músculos, pernas e pêlos, braços e laços.

Colocou cuidadosamente o joelho sobre a cama, tentou em vão silenciar o ruído do estrado. Reclinou-se devagar até alcançar o travesseiro, esticou as pernas sobre a cama e respirou pela primeira vez em sete segundos. Havia conseguido.

Fechou longamente os olhos de alívio. E, olhando para ele ainda de olhos fechados, decidiu que sua resposta seria "sim".

Outubro 08, 2005

Não Veja, Leia!




Passei a deixar as Vejas no banheiro.

Que maravilha!

As folhas são super, hiper, mega, blaster macias!

E a capa é plus advanced!

Eu recomendo!